Das muitas pessoas que atravessaram meu caminho e foram embora, todas deixaram alguma marca: boa, ruim ou ambas. Geralmente preciso de um bom tempo para me apegar a elas - pra desapegar costuma ser pior ainda.

Só que, por mais triste que seja, não sinto remorso por cortar laços quando vejo neles algum tipo de nó.

Toda relação é uma construção consensual: trocas voluntárias de carinho, interesse, preocupação e principalmente demonstrações espontâneas da importância que a outra pessoa tem pra ti. Quando o interesse desaparece, perde-se o propósito. É quando tu começas a caminhar em círculos, a tropeçar sempre naquele mesmo pedregulho.

Eu não preciso e não vou implorar pra alguém ficar do meu lado, principalmente quando o que eu sinto é recíproco, mas bem longe da maneira que eu esperava. Estúpida, durante anos, eu tentei fechar os olhos pro que torna isso tudo tão errado.

Foi difícil perceber.

Desatei o nó.  

you can’t play on broken strings

Hoje em dia já nem consigo mais dizer onde foi que, de fato, errei ou acertei.  Fui mesmo bem idiota, esperei e exigi demais de ti e ainda te magoei diversas vezes, mas agora já é tarde pra consertar tudo.

Recolhi nos meus braços o amor que tu dizias sentir por mim, depois não soube onde guardar.  Perdão, nunca soube ao certo como administrar, dosar, tolerar. Não soube entender. Acabei perdendo.

E acho que não saberia fazer certo desta vez.

De novo.

Depois de tantas tentativas, definitivamente prometi pra mim mesma que agora será diferente. Não quero mais me ver tão errada, tão torta, tão dura comigo mesma nas histórias que eu protagonizo. Preciso ser mais paciente e menos orgulhosa, não posso esperar que adivinhem o que eu sinto ou como quero que ajam. Aprendi, sei que aprendi.

Aprendi enquanto eu caminhava sozinha. Um caminho bem longo. Triste, até, mas totalmente necessário. 

Não quero os mesmos erros, mas dói ao pensar em deixar que alguém cuide de mim - porque esse alguém vai me ferir; querendo ou não, é o que vai acontecer, não importa o quanto eu tenha mudado depois da última experiência: vai doer. Se envolver de verdade é se deparar a uma mente com outras idéias, expectativas, anseios, sonhos, outras vontades. E nos resta esperar, cruzar os dedos e torcer para que a pessoa em que tu depositou as fichas te machuque bem menos comparado à felicidade que ela te proporciona.

Fico, sim, receosa ao dar esse passo, de me desprender e me jogar em um infinito de mudanças. MAS NÃO. Não importa a quantidade de tentativas: decidi não mais me fechar, fugir, me aterrorizar por tão pouco. Prefiro aceitar quebrar a cara muitas vezes do que continuar me entregando de um jeito tão… fragmentado.

Vou parar de ser medrosa. Algumas pessoas não têm culpa das minhas cicatrizes. Isso tudo eu também aprendi.

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